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Asteya, o caminho da ética para a vida

Em seu texto clássico, Yoga Sutras, Patañjali, sistematizou o conhecimento do Yoga dividido em oito partes, que devem ser incorporadas à vida das pessoas que vivenciam o Yoga: Yamas: preceitos éticos; Niyamas: preceitos morais; Ásanas: posturas psicofísicas do Yoga; Pranayama: exercícios para expandir a capacidade respiratória e absorção de Prana (energia vital); Pratyahara: ligação externo e o interno, controle dos órgãos e abstração dos sentidos; Dharana: manter a concentração; Dhyana: contemplação meditativa; Samadhi: iluminação.


Yamas são os preceitos éticos que devem nortear a vida do yogue não só no tapete como também nas ações em sua vida pessoal e social, inclusive na sua forma de se relacionar com os seres no universo. Ahimsa – Não Violência, Satya – A verdade interior, Asteya – Não roubar, Brahmacharya – Celibato, Aparigraha – Desapego.


Dentre os Yamas, esse artigo destina-se a abordar o terceiro, Asteya, que em simples tradução significa não roubar. Entretanto, esse conceito vai mais além do que subtrair algo material de alguém, mas também diz respeito aos pensamentos e atitudes que se tem perante as situações e aos momentos em que o yogue se encontra sozinho com o seu caráter.


Por isso, esse é um Yama que exige o trabalho mais sutil das diferentes formas de roubo que se pratica cotidianamente, não somente associado a itens materiais, como o roubo ainda na forma de ideação, ou nas suas formas mais abstratas, como roubar o tempo de uma pessoa ou sua atenção. Quantas vezes não estamos bem (ou estamos bem), e por isso, achamos que outra pessoa deve se ater ao que temos para falar ou desabafar. Reuniões e encontros que são agendados e não iniciam no horário, porque não há o compromisso com o tempo das pessoas e com a forma com que elas empregam o destino desse tempo. Há muitas formas de roubo toleradas e tidas como práticas naturalizadas em nossa sociedade atual.


I.K Taimni, em seu livro A Ciência do Yoga, diz que para Patañjali, Asteya não pode ser interpretada apenas como abstinência do roubo, mas também abster-se de qualquer forma de apropriação indevida, isso inclui também os furtos não intencionais, ou aquelas atitudes que para o seu subconsciente você não está praticando um delito. Isso inclui também furtar o tempo de alguém, que é algo tão precioso e que muitas vezes é desprezado pelo outro; a ideia de alguém, aquilo que você tem o trabalho de planejar e construir é material intelectual, quando alguém se apropria da ideia do outro está incidindo furto, portanto está ferindo o princípio de Asteya.


Asteya também se relaciona diretamente com os outros Yamas (Ahimsa, Satya e Aparigraha).


Para Mário Brandão (2010), a origem do desejo e ato de furtar pode estar intimamente ligada ao apego, que é o principal impedimento para o desenvolvimento da determinação de ser livre, e que contraria outro Yamas: Aparigraha que significa desapego, o não acumular coisas. Para o budismo, o apego que criamos às coisas materiais ou não, são os causadores de sofrimento e que mantêm o ciclo de nascimento e morte.


Segundo Deborah Adele (2021), no livro Yamas e Niyamas a Ética do Yoga, a terceira joia, Asteya, nos incentiva a levar uma vida com integridade e reciprocidade. Se vivemos com medos e entre mentiras, nossa insatisfação com nós mesmos e com nossa vida nos faz olhar para fora e desenvolver a tendência de roubar o que não nos pertence. Roubamos dos outros, do planeta, do futuro e de nós mesmos. Roubamos da nossa oportunidade de amadurecer e nos transformar numa pessoa que tem o direito de ter a vida que deseja.


Desenvolver Asteya deverá exigir atenção e vigilância do praticante com suas

ações e pensamentos, dissolvendo desejos desnecessários e despertando o sentimento de

suficiência. Aparigraha (não cobiça) brotará e a intuição será aguçada.


Asteya é uma das partes do caminho que conduz a iluminação, desapegando e abandonando o desejo de possuir e acumular, o que não significa viver a vida sem ter coisas, mas não permitir que o desejo lhe torne um mero acumulador sem objetivos ou consciência do quão as suas posses podem impactar o universo e na sua busca pela iluminação.



Referências

Brandão. M, Asteya 2010 disponível em:

http://www.jequitinhonha.org.br/asteya-nao-roubar-o-3o-yama/

Patanjali (Autor), Barbosa C.E. G (Tradutor) Os Yoga Sutras de Patanjali: Texto

clássico fundamental do sistema filosófico do Yoga, Volume 1, fevereiro 2017

Taimni I.K. A Ciência do Yoga, 2006



Márcia D’Alcântara Arruda

Formada em Hatha Vinyasa Yoga em 2021

Salvador


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