Os Yamas da Vida

29/08/2014

 

 

Existem muitas formas de Yoga e todas elas incluem a prática, o treinar a técnica ou repetir os ensinamentos com o objetivo de aplicá-los no dia-a-dia. O Yoga Sutra de Patañjali é um pequeno livro onde Patañjali (grande sábio que viveu entre 200 AC e 200 DC) compilou os passos do Ashtanga Yoga (ashta = oito; anga = partes, membros ou passos). Este livro é um guia para todos os praticantes de Yoga, nele estão descritos os passos que devem ser caminhados, os obstáculos pelos quais passamos durante a caminhada e como superá-los, os poderes advindos do Yoga e qual é o seu objetivo final.
 

A base do Ashtanga Yoga é seu primeiro passo denominado Yama.  O significado da palavra Yama é controle, domínio ou restrições. Estas restrições têm como objetivo criar um senso de comunidade respeitosa, onde ficamos em paz com todos a nossa volta. São preceitos que ajudam a manter a harmonia entre o individuo que se observa ao fazer suas escolhas e todos aqueles que estão envolvidos nelas. Os Yamas cultivam o senso de comunidade tão necessários nos dias de hoje e imprescindível para a paz mundial.
 

Estas restrições são consideradas leis universais, pois se aplicam para todos os seres vivos, independente de idade, sexo, raça, cultura, tempo ou ocasião.  Vamos listar cada uma dos cinco Yamas e dar exemplos claros desta afirmação:

Ahimsa: não-violência. Nenhum ser vivo quer ser violentado. Todos têm como instinto maior proteger-se para não sofre e manter a vida. Este preceito é a principal razão de muitos yogis não comerem carne.

Satya: veracidade. Ninguém quer ser enganado.  Nenhuma pessoa tem o direito de enganar, pois a mentira tira a liberdade daquele que mente e tira a liberdade daquele que é enganado.

Asteya: não roubar. Todos os seres almejam negociações honestas, ninguém quer perder ou ser roubado. Aqui cabe desde dinheiro, idéias e energia.

Brahmacharya: continência ou não desvirtuamento da sexualidade. Ninguém quer ser traído. Esse preceito também é conhecido como moderação dos sentidos, equilíbrio.

Aparigraha: abster-se da avareza. No mundo existe comida e terra para todos, mas não para a ambição de todos. Todos devem abster-se da possessividade exacerbada.


Para conseguirmos colocar em pratica todos esses preceitos é importante nos colocarmos no lugar do outro. Assim percebemos que estas leis são basicamente não fazer com o outro o que não gostaríamos que fosse feito com nós mesmos.

A ética vem do sentimento através da conexão com o coração aberto e livre de medo. Tem como objetivo manter a harmonia com as pessoas a nossa volta para conseguirmos a harmonia interna. Na verdade a paz já está dentro de nós e o Yoga direciona o nosso olhar para essa paz interna. Lembrando que temos tudo o que necessitamos, fazendo com que tenhamos consciência das nossas carências e com isso possamos estar seguros para vivermos com menos, e com menos exigências em relação ao mundo a nossa volta.
 

É muito fácil falar sobre estes preceitos, venho aqui perguntar aonde é que em nossas vidas colocamos essas teorias em pratica. Coloco alguns questionamentos para que você reflita. Você consegue aplicar estes preceitos no dia-a-dia? E na verdade não importa qual é a resposta. Aqui não existe certo ou errado, estamos caminhando, o que importa é você conseguir enxergar onde estão suas dificuldades, e a partir dai fazer pequenas mudanças diárias.
 

Peço para que reflita sobre cada uma das perguntas abaixo. E sugiro como um bom exercício escrever as respostas. Estando livre de julgamentos, lembre-se de ser sincero com você mesmo.

1) – Como eu incorporo a não violência em minha vida? Consigo ser não-violento em sentimentos, pensamentos, palavras e ações? O que posso fazer para melhorar?

2) – De que forma minha vida está alinhada com a verdade? Tenho conseguido prometer somente aquilo que posso cumprir? Consigo falar a verdade mantendo o principio de ahimsa? O que posso fazer para ser verdadeiro com os outros e comigo mesmo?

3) – Tenho feito proveito somente do que é meu? Sou honesto com os ensinamentos que recebi dos meus professores? Minhas idéias são realmente minhas? Respeito a energia e o tempo das outras pessoas? Como posso melhorar?

4)– Consigo admirar a beleza das pessoas sem me envolver emocionalmente com elas? Sou fiel ao meu parceiro? O que me faz estar na relação que estou? Consigo ser fiel ao meu coração? Consigo ter equilíbrio nos meus sentidos?

5) - Será que eu realmente me preocupo com o que está em volta, ou penso somente em mim? Como posso ser mais generoso?

 

Refletir sobre estes preceitos é o primeiro passo na vida de Yoga. De acordo com Patañjali é de extrema necessidade que o coração do yogi esteja limpo e aberto para os maravilhosos poderes advindos da pratica de Yoga. Vejo muitas pessoas perdidas com o poder que o Yoga proporciona e os Yamas nos dão a direção para purificar o coração e aprender a respeitar e honrar a relação em comunidade. É uma responsabilidade social estarmos bem com nós mesmos e aplicar os Yamas na vida.

 

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